Em destaque

Anti-Tech Revolution: Why and How

O mais recente livro de Theodore John (Ted) Kaczynski --  Anti-Tech Revolution: Why and How  --*  foi apresentado aos leitores nest...

23 de agosto de 2015

Sobre a relação entre língua e tecnologia -- em uma entrevista com Manuel Monteiro

Manuel Monteiro é um jovem intelectual* português, escritor reconhecido e premiado, e um jornalista e revisor que já trabalhou e trabalha em diversas revistas e editoras de Portugal. Recentemente, ele publicou o Dicionário de Erros Frequentes da Língua. Numa entrevista sobre essa sua última obra, feita para seu site pelo também escritor Duarte Nuno Braga, ao ser questionado acerca do que explicaria essa grande e crescente ocorrência de erros de estilo e lógica em nossa língua escrita e falada, Manuel Monteiro respondeu:

A tecnologia. Temos uma pletora de comentários nas redes sociais, temos de responder a muitos SMS, a muitas mensagens electrónicas e temos de o fazer muitas vezes de forma premente -- essa vertigem não permite fazer amor com as palavras. E depois há todos aqueles ícones, o LOL, a escrita abreviada, os capas e os xis. E será um truísmo dizer-se que a palavra vai perdendo o fulgor para a imagem. Permite-me citar Theodore Kaczynski (Technological Slavery): "The entertainment industry serves as an important psychological tool of the system, possibly even when it is dishing out large amounts of sex and violence. Entertainment provides modern man with an essential means of escape. While absorbed in television, videos, etc., he can forget stress, anxiety, frustration, dissatisfaction. Many primitive peoples, when they don’t have work to do, are quite content to sit for hours at a time doing nothing at all, because they are at peace with themselves and their world. But most modern people must be contantly occupied or entertained, otherwise they get “bored,” i.e., they get fidgety, uneasy, irritable."
   ("Industrial Society and Its Future" -- paragraph 147. In: Technological Slavery, 2010, pág. 83.)

Confira e aproveite essa entrevista em: Entrevista com Manuel Monteiro

   * Na acepção clássica do termo, i.e., a de uma pessoa cujo intelecto permite-lhe entender e explicar, com criatividade e coragem, algo de vários assuntos e muito de alguns temas específicos -- e não como é tão (mal) aplicado, hoje em dia, a qualquer pessoa que desde o meio acadêmico ou na mediocrizada e mediocrizante mídia faça demonstrações de que é capaz de receptar, reordenar e reproduzir aquilo que o grande público pode e quer ouvir ou (, por vezes, até mesmo) ler.